segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Espinhos do Amor - Epílogo


Capítulo 18 – Epílogo

          Quando se fala em contos de amor logo se pensa em um final feliz, mas isso não é um conto, é a minha vida, a realidade e a realidade nem sempre tem um final feliz…
          O amor é como uma rosa, uma das coisas mais belas da natureza, mas nem tudo da rosa é belo, como os espinhos por exemplo. Qualquer um que queira apreciar a beleza de uma rosa tem que estar pronto para passar pelos seus espinhos, sofrendo às vezes algumas “picadas”.
          O amor é igual nisso, se você quer amar tem que estar preparado para passar pelos seus “espinhos”.
          Hoje é dia 31 de dezembro e já fazem três meses que eu me separei da pessoa que eu amo. Eu não o vi mais depois que ele foi embora, nem falei, nem mesmo tive notícias dele.
          Hoje todos os meus amigos estão curtindo o último dia do ano e eu to aqui trancada nesse quarto escuro. Na verdade eu estou aqui por opção minha, eu não me sinto bem em sair de casa já faz um tempo.
          Eu só sei que esse ano vai ficar marcado pra sempre… Eu quebrei a cara namorando o cara mais popular do colégio, fiz grandes amizades, vi minha melhor amiga se apaixonar por algo que não é feito de chocolate, me apaixonei pelo meu melhor amigo e no fim de tudo fiquei sozinha de novo. Mas fazer o que, essa é a vida.

          – Mily, você tem certeza de que você não quer ir ver os fogos comigo e com o Alejandro? – disse a Auria entrando em meu quarto.
          – Tenho sim Auria. Vai lá e aproveite esse ultimo dia do ano por mim.

          (…)

          – Felipe, cadê você? Eu sinto tanto a sua falta, você não faz ideia, eu sei que eu prometi ser forte durante a sua ausência, mas eu não consigo, eu preciso de você aqui comigo. Aaaaaah! Eu te odeio por me fazer te amar tanto. – para e pensa – Cara, eu sou uma idiota. To discutindo com um ursinho de pelúcia. Bom, não tem ninguém vendo mesmo. Vamos dormir ursinho que essa noite vai ser longa.

          Eu dormi abraçada com o panda de pelúcia que o Felipe me deu, eu não desgrudo dele por nada, afinal foi a única lembrança que sobrou do meu amor. Depois de pouco tempo eu acordei com alguém me cutucando. Quando eu abri os olhos eu me deparei com aquele ursinho me encarando, eu me assustei então fechei os olhos contei até dez e abri novamente, mas dessa vez não era o ursinho que me encarava, era…

          – Felipe! – disse me levantando em um pulo.
          – Surpresa! – disse ele com o sorriso mais lindo do universo.
          – O que você está fazendo aqui? Você não estava na Inglaterra?
          – Sim, eu “estava” na Inglaterra, não estou mais. Eu precisava vir ver como estava a minha pequena, ver se ela não tinha se esquecido de mim.
         – É claro que eu não me esqueci de você, não pense no impossível. Mas e o seu avô? Você deixou ele sozinho? Quando você voltou?
         – Ei! Calma! Não precisa ficar desesperada. O meu avô tá bem, afinal foi ele que disse pra eu voltar. Ele dizia algo como: um verdadeiro amor não pode acabar por culpa de um velho como eu. Ele veio comigo. Nós chegamos há algumas horas. Isso responde as suas perguntas?
         – Responde sim. Felipe, eu não posso acreditar que seja você mesmo. Eu estou tão feliz em te ver.
         – Eu também. Eu te amo pequena.
         – Eu também te amo… Meu pandinha. rs

         Depois disso eu só me lembro de um beijo, um quarto escuro iluminado pelos fogos e um casal apaixonado. Era meia noite, estava acabando um ano inesquecível e um novo ano estava começando, um ano que promete milhares de novas aventuras.


Criação: Fevereiro de 2010
Terminada em: 23 de Dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Espinhos do Amor - Capitulo 17


Um Final Feliz?

          – FELIPE, VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR. EU PRECISO DE VOCÊ. EU TE AMO!!!
          – Fico feliz que você finalmente pôde alcançar meus sentimentos, mas será que poderia parar de gritar? Sabe, eu não sou surdo. – disse Felipe acordando.
          – Felipe, graças a Deus você está vivo! – e então eu o beijei, com todo o desejo e amor que eu sentia. Minhas lágrimas ainda caiam, mas agora eram de emoção. Eu não me importava mais em estar em um hospital ou que o Felipe estava ligado a todos aqueles aparelhos, a pessoa que eu mais amo está bem e isso é o que mais me importa agora.

          (…)

          – Felipe, eu não entendo, você não estava morto?
          – Como assim morto?
          – Bom, eu acabei de ouvir o médico que estava cuidando de você falar pros seus pais que você havia falecido.
          – Serio? Ha! Ha! Ha! Então eu virei um fantasma e não me contaram.
          – Com licença senhorita, mas você não pode ficar aqui. – disse uma enfermeira ao entrar no quarto.
          – Me desculpe, eu já estava de saída. – só quando eu me levantei que a enfermeira notou que Felipe estava acordado.
          – É um milagre que ele já esteja acordado, eu preciso avisar o Dr. Paulo imediatamente. E você garota, trate de ficar lá fora na sala de espera.

          Quando eu voltei para a sala de espera, todos me explicaram que não era o Felipe que havia falecido e sim o Eduardo, apesar de tudo eu fiquei muito triste com essa noticia, ele podia ser a pior pessoa do mundo, mas ninguém merece morrer assim, ainda mais tão jovem.
          Todos disseram que a recuperação de Felipe foi um grande milagre, afinal ele estava tão mal e se recuperou tão rápido. Ele ficou mais alguns dias no hospital para uns exames, mas logo foi liberado.
          No mesmo dia em que Felipe voltou do hospital, todos nós demos uma grande festa. E advinha o que aconteceu? Meu pai soltou uma grande bomba: Ele ia se casar. Com a Michelle. Em duas semanas. Essa foi uma grande notícia. Estavam todos felizes: meu pai com a Michelle, a Auria com o Alejandro, eu com o Felipe… Isso mesmo, nós havíamos nos aproximado muito depois do ocorrido.

          *No dia do casamento*

          O casamento foi realizado em um grande parque ao ar livre, todo decorado com flores e plantas do próprio parque. O caminho para o “altar” era feito de pétalas de rosas vermelhas, no altar havia duas arvores, uma de cada lado, que se uniam no topo formado um falso teto de flores. A decoração estava tão linda e perfeita que era difícil não se impressionar. O casamento foi simples, mas foi muito divertido. Depois da cerimônia teve um jantar e uma grande festa, tudo isso no parque.

          – Mily, será que eu posso falar um minuto com você a sós? – Felipe sussurrou no meu ouvido enquanto dançávamos. (era música lenta.)
          – Claro. – nós andamos um pouco pelo parque e depois nos sentamos em um Baco.
          – Mily, a semana toda eu tentei achar o momento certo para te dizer isso, mas eu nunca criava coragem.
          – Dizer o que Felipe?
          – Bom… – ele parecia estar nervoso – Há uma semana meu pai recebeu uma ligação dizendo que o meu avô estava muito doente e como ele mora sozinho é muito arriscado para ele, mas por causa do trabalho dos meus pais eles não podem ir visitá-lo então foi decidido que eu iria morar com o meu avô para cuidar dele.
          – O quê? Mas vocês não têm outro parente que possa cuidar dele? Porque tem que ser você?
          – Não, o meu pai é filho único e ele não tem nenhum outro parente. Eu vou ter que ir.
          – Eu entendo. – eu já estava começando a chorar com a situação (eu sou chorona mesmo, algum problema?) – Onde ele mora? Não pode ser tão longe.
          – Mily, eu sinto muito, mas… – nesse momento ele também começou a chorar – O meu avô mora na Inglaterra.
          – Como?
          – Me desculpe. – ele deu um beijo em minha testa e me abraçou.
          – E quando você vai?
          – Amanhã de manhã...
          – Felipe, você não pode ir, justo agora que nós estamos juntos. Você não pode ir agora.
          – Eu também não quero ir, mas eu não tenho escolha. Eu prometo que tudo vai ficar bem. E logo nós ficaremos juntos de novo. Só me prometa que você vai me esperar.
          – Eu prometo.

          Eram duas da manhã e eu ao conseguia dormir, eu não acredito que depois de tudo eu vou ficar sozinha de novo e pensar que eu nunca mais vou vê-lo... De repente eu ouvi um barulho vindo do lado de fora, eu fui até a janela para ver o que era, mas não havia nada lá fora. Eu fui até a porta para acender a luz e quando me virei de novo para a janela eu vi o Felipe parado na minha frente, dentro do meu quarto.

          – O que você está fazendo aqui?
          – Ora, eu vim me despedir da minha namorada, não posso? E eu sabia que você ia estar acordada.
          – Eu não consegui dormir.
          – Eu sei. Eu só não acho certo você perder o sono por minha causa.
          – E quem disse que foi por sua causa que eu perdi o sono? RUM.
          – Ta bom então, já to indo embora. – ele disse isso já colocando os pés pra fora da janela.
          – Não vai. Foi por sua causa sim que eu não dormi, mas, por favor, não vai embora.
          – Tudo bem, eu acho que eu posso ficar mais um pouco. Mas você precisa ir dormir. Eu já estou com a consciência pesada por ter que te deixar assim, eu não quero me sentir pior.

          Quando eu acordei de manhã eu sabia que tudo não havia passado de um sonho, mas quando eu me levantei eu me deparei com uma grande caixa em cima da minha cama com um bilhete onde dizia:

              “Mily,
                    Sinto muito por ter que te deixar assim, mas, por favor, me espere, eu vou voltar por você. Enquanto isso te deixo com o meu substituto.
                                                                                              Um Amigo.”

          Dentro da caixa havia um urso panda de pelúcia. E assim eu fiquei sozinha, afogando minhas lágrimas em um ursinho de pelúcia.

                                                                *FIM!?!*

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Espinhos do Amor - Capítulo 16


O Acidente

          “Pensar, refletir, meditar,...” Essa foi a única coisa que eu fiz durante o dia todo. Sim, eu estava levando ao pé da letra tudo o que a Auria disse, mas eu já sabia tudo isso o que ela me disse, eu sei o que eu quero fazer, e o que eu devo fazer, eu sei o que eu sinto, eu sempre soube, mas me faltava algo, não só o empurrão da Auria, mas também me faltava a coragem, a coragem para admitir meus erros, superar meus medos,... Está decidido! É agora ou nunca!

          #Primeiro: falar com a Auria.
          Peguei meu celular e disquei o número dela, ela atendeu no segundo toque.

          – Oi Mily.
          – Auria, me desculpe por antes, você estava certa e eu errada, aliás, você sempre esteve, eu é que nunca soube admitir. Obrigada por esse empurrãozinho, eu prometo que vou aproveitá-lo ao máximo. Depois a gente se fala, agora tem um lugar que eu preciso ir.

          Eu desliguei e saí correndo, eu precisava falar com ele, eu precisava me desculpar. Eu precisava dizer toda a verdade a ele.

          – Boa tarde Dona Carla, o Felipe está?
          – Ora, ela não estava com você?
          – Não.
          – Então onde será que aquele garoto se meteu agora?
          – Porque a senhora diz isso?
          – Depois que ele foi com vocês para a festa da escola ontem ele não voltou, eu não me preocupei muito porque achei que ele esta com você, mas se ele não está com você o que será que aconteceu com aquele garoto? – ela já estava ficando nervosa.
          – Calma Dona Carla, você conhece o seu filho, ele deve estar por ai com os amigos. Vamos tentar ligar para os amigos dele.

          Nós ligamos para todos os amigos de Felipe e nada, ninguém sabia onde ele estava. Dona Carla ligou para a polícia e mesmo assim não conseguiram encontrá-lo. Auria e Alejandro disseram que ele desapareceu depois do baile.
          Quando era umas 21h a mãe de Felipe pediu para que eu fosse para casa descansar e me prometeu que me avisaria caso ele aparecesse. Eu fui para casa, mas eu não conseguiria descansar nada. Depois de uns 30 minutos eu recebi uma ligação do celular do Felipe, mas infelizmente não era ele.

          “Se você quiser ver seu querido amiguinho de novo, venha SOZINHA até o galpão abandonado na saída da cidade. Não tente nenhuma gracinha ou ele irá sofrer as conseqüências.”

          Eu sabia muito bem de quem era essa voz: Eduardo. Mesmo sabendo dos riscos eu não pensei duas vezes antes de sair correndo para o local combinado, eu precisava salvá-lo.

          *Enquanto corria*

          “Felipe, me desculpe por tudo, como você disse, a minha alma gêmea sempre esteve ao meu lado, eu é que não podia enxergá-la, ou melhor, eu não conseguia te enxergar, eu estava tão cega pelos meus medos e insegurança que eu não conseguia enxergar o amor que estava nascendo dentro de mim. Se eu não tivesse fugido de você no baile a essa hora nós estaríamos juntos. Eu só espero que agora não seja tarde demais para abrir os olhos.”

          Já eram 22h quando eu cheguei ao galpão, estava tudo tão escuro que estava começado a me dar medo, eu sabia da armadilha que me esperava, mas eu não podia deixar o Felipe sozinho naquele lugar.
          Eu entrei de fininho, mas não havia nada lá dentro, apenas uma fraca luz no centro.

          – Então a minha querida Mily resolveu aparecer para a festa?
          Eu me virei rapidamente e pude ver o rosto daquele canalha. – Eduardo.
          – Que falta de educação, é assim que você cumprimenta o seu grande amor?
          – Não. É que eu falo com idiotas feito você. – ele vinha andando em minha direção e eu, para me afastar dele, já estava no centro do galpão.
          – Eduardo! Deixe-a em paz. Se quiser se vingar, se vingue de mim, fui eu que estraguei seus planos. – o Felipe estava falando em algum lugar atrás de mim, provavelmente preso de algum jeito, eu não conseguia vê-lo por causa da escuridão, mas só de ouvir a voz dele já me deu um alívio por saber que ele estava bem.
          – Cale a boca antes que eu me irrite! E garotos, prendam-na junto com o traidor.

          Nesse momento oito ou dez dos “amigos” do Eduardo saíram das sombras e me agarraram (eu até tentei fugir, mas eles eram muitos e mais fortes do que eu), eles me levaram para um dos cantos escuros e acenderam outra luz, o que fez com que eu pudesse ver o Felipe, ele estava preso com cordas a uma grande coluna de ferro. Quanto mais eu chegava perto eu podia ver alguns arranhões e marcas roxas pelo corpo e rosto de Felipe, ele ainda estava com a roupa do baile, mas ela estava toda suja e rasgada, com certeza houve uma briga feia. Os garotos me amarraram na mesma coluna de ferro em que o Felipe estava, de costas para ele.

          – Como você está? – eu perguntei a ele.
          – Eu estou bem. Idiota, porque você veio? Eu podia me virar sozinho aqui.
          – Me desculpe, mas foi a única coisa que eu pensei quando eu soube onde você estava.
          – Ha, ha, ha! Não me digam que vocês dois vão brigar por minha causa? Eu me sito lisonjeado assim. Mas ele está certo Mily, você não deveria ter vindo.
          – Eu já te disse Eduardo. Você pode fazer o que quiser comigo, mas deixe a Mily ir embora. – a voz de Felipe estava ficando cada vez mais fraca, ele devia estar cansado de ficar tanto tempo preso em um lugar como esse.
          – Mas que graça teria isso? Como é que dizem mesmo? Ah é: “Dois coelhos pelo preço de um.”
          – O que você pretende fazer com a gente? – perguntei ainda mais nervosa.
          – Ora Mily, você não sabe? Eu pensei que você me conhecesse, pensei que você se lembrava do que aconteceu com todos os que já cruzaram o meu caminho...

          “Sim, eu me lembrava, eu sabia o que ele pretendia e também sabia que ele não estava brincando, mas aquele não podia ser o meu fim, não podia ser o nosso fim.”

          – Mily, quando eu disser “já”, você corre pra fora daqui.
          ­– O quê? – foi quando eu percebi que o Felipe estava desamarrando as minhas cordas, assim que ele terminou eu comecei a desamarrar as cordas dele também.
          – Parem de cochicho vocês dois, se tiverem algo a dizer falem alto e claro, “Falem agora ou calem-se para sempre.” Aproveitem que essa será a ultima chance de vocês. – os amigos de Eduardo não estavam mais no galpão e todo o lugar estava fazendo um rangido estranho.
          – Já! – Felipe gritou e nós dois corremos em direção a saída.

          Quando eu estava quase na porta Eduardo agarrou meu braço, mas Felipe deu um soco no rosto dele o que me permitiu escapar, mas Eduardo ainda conseguiu se levantar e agarrar Felipe.

          – Não tão devagar. – Eduardo disse.
          – Felipe!!!
          – Mily, saia daqui agora! Eu ficarei bem.

          Eu saí, mas enquanto estava correndo o galpão todo se desfez atrás de mim e quando eu me virei só havia uma grande pilha de entulhos na minha frente.

          – FELIPE!!!

          Eu estava desesperada, mas precisava fazer alguma coisa, então peguei o meu celular e liguei pra todos os lugares possíveis: bombeiros, polícia, ambulância, Dona Carla, meu pai e até para a família da Auria e do Alejandro.
          Dentro de dez minutos, todos já estavam lá, os bombeiros estavam tirando os destroços do galpão tentado encontrar os garotos, a polícia me fazia milhares de perguntas do que e como tinha acontecido, eu respondia tudo e minha família e amigos estavam me dando o maior apoio.
          Já passava da meia-noite quando encontraram os garotos, por sorte eles estavam vivos, mas estavam inconscientes, eles foram levados direto para a UTI porque estavam com grandes riscos de vida.

          Se passaram quatro dias e os dois garotos ainda estavam no hospital, os dois estavam em coma e os riscos ainda eram grandes. Eu não saí do hospital desde o dia do acidente, mesmo não podendo ver o Felipe, eu queria estar por perto quando ele acordasse.
          De repente, apareceu o médico que estava cuidando dos garotos e pediu para falar com os pais de Felipe e de Eduardo, eu não sabia o que era, mas com certeza era grave. Eu tentava ouvir a conversa, mas eles estavam muito longe e estavam falando baixo, mas eu ouvi uma parte claramente: “Sinto muito ter de lhes informar isso, mas o garoto acabou de falecer.”

          Com essas palavras o meu coração parou, isso não podia estar acontecendo, sem pensar eu saí correndo em direção ao quarto em que Felipe estava e o abracei, talvez pela última vez, e comecei a gritar tudo o que estava preso no meu coração.

"Prontos para o último capítulo?"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Capítulo 8



Capítulo 8
-Seu presente está o mais próximo que imagina, Senhorita Auria! –sorri, com uma face indescritível, Albert.
-Onde está, vovô? –ignoro o garoto, friamente.
O garoto fica boquiaberto, com a facilidade que tive de ignorá-lo.
-Venha! –Luís segura minha mão e rapidamente saímos da grande sala.
Aquele tumulto que estava ali do lado de fora e de dentro começava a tornar um círculo diante de nós dois. O garoto, Albert, ficou ali encostado na parede, quieto.
Olho à minha frente, e vejo um pequeno potro, quieto na sombra da grande árvore que havia ali.
-Estou incrédula! –olho para Luís e ao mesmo, olho para o potro.
-Acredite, querida! –sorri, colocando sua mão sobre a barriga.
-Vovô! –corro até ele e dou um abraço por impulso novamente, estava realmente muito feliz.
Nunca tivera ganhado um presente tão bom e com algum fim, que não fosse para o bem de minha mãe ou meu pai, mas sim com um interesse próprio dito a mim, e com gostos meus. Uma coisa que eu realmente queria.
Corro até o potro, paro a sua frente, vagarosamente olho em sua face... Levo minha mão, delicadamente até seu focinho... Ele recua rapidamente...
-Calma garoto... –digo numa voz suave, e ainda tentando minha mão chegar perto dele.
-Senhor! –diz algum dos guardas de meu avô, para ele.
-Deixe-a! –apenas levanta a mão direita, rapidamente, fazendo o homem parar imediatamente.
Minha respiração estava um tanto nula naquele momento, o potro estava ofegante e com medo... Sorrio para ele, com uma leveza surpreendente e meiga... O potro, vagarosamente batia as patas traseiras, e vinha um pouco mais a frente... Consequentemente minha mão triscou em seu focinho, logo o fiz carinho, meigamente e suavemente, o potro recua rapidamente, mas volta.
-Isso, garoto! –sorrio e tomo a iniciativa de acaricia-lo mais, levando minhas mãos ao seu focinho com mais confiança, sorrio.
-Mas o quê? –o mesmo guarda fica confuso.
-Ela é uma Bientomz, caro rapaz! Ela tem o dom... –Luís sorri olhando para sua neta.
O garoto, Albert, ficara olhando Auria de longe, sério. Logo que observa ela acariciar o potro, sorri.
-Ela realmente tem o dom... –sorri, Albert.
-Vovô! –olho rapidamente para ele, sorrindo. Como se houvesse uma grande descoberta ali, perante mim.
-Sim querida? –ele sorri.
-Qual o nome dele? –acaricio-o novamente.
-Ele é seu, tu escolherá! –aponta com a mão, para o potro.
-Oh... –digo pensativa. –Então... –olho para o potro. –Qual nome queres? –acaricio-o, sorridente e pensativa.
-Príncipe! –um dos guardas chamam Albert, quem estava montando num cavalo, sem alguma proteção... Afinal, quem precisa de proteções absurdas, para montar à cavalo?
O potro relinchou, parecia feliz com o dizer do guarda.
-Prince? –acaricio-o sorrindo, chegando a conclusão de seu nome. Ele parecia feliz com a decisão.
-Quer montar? –o garoto para com o cavalo ao meu lado, e estende a mão.
Olho friamente para ele, logo desvio o olhar para o potro, ou melhor, Prince.
-Príncipe! –o guarda insiste.
-Venha logo! –ele puxa meu braço rapidamente e com o impulso eu subo no cavalo mais rápido. Dispara com o cavalo de grande porte.
-O que pensa que está fazendo? –fico enraivada, na traseira do cavalo.
-Apenas quero lhe mostrar o local, e aposto que nem sabes andar a cavalo. –sorri, disparando mais o cavalo, seguro firme em sua cintura, para proteção.
-
-Ora... –Luís sorri. –Esse Albert! –gargalha.
-Ele não tem jeito mesmo! –Saval olha para Luís balançando a cabeça em negação.
-O que faremos, senhor? –um dos guardas perguntam.
-Nada! –o Rei solta duma só vez.
-Nossa... Vocês viram isso? –pessoas ao redor começam a comentar.
-Ela soube falar com o cavalo... –ri uma garota, com deboche.
-Ela devera ser uma égua para conversar com ele! –ri outra, com deboche.
-Se é que não é! –outra ri mais.
-Vocês duas deveriam calar-se, pois até mesmo um cavalo tem mais elegância que vocês três juntas! –o garoto de cabelos grisalhos solta numa raiva só.
-Ah, nem vem... Fedelho Lysandre! –diz uma garota de longos cabelos louros e olhos verdes.
-Você não tem o direito de falar assim de uma pessoa, ainda mais a quem nem ao menos conhece! –ele parecia estar atento com a tal garota. –Ambre...
-O que está havendo aqui, crianças? –Saval chega com uma face de preocupação.
-Não é nada, senhor Saval... Lysandre acha confusão com todos! –Ambre solta numa dó, e com uma face de meter dó.
-Não quero saber de confusões... –ele sai, mas fica a espreita.
-
-O garoto sabe montar desde os 4 anos de idade... Não tem mal algum... Ainda... –Luís fica um pouco apreensivo e confuso.
-Não se preocupe, Luís! –Saval chega e dá um tapinha em suas costas. –Ele não tem idade para pensar neste tipo de coisas!
-Oh?! –Luís olha confuso para Saval. –Que tipo de coisas?! –ele fica mais confuso ainda, colocando a mão na cabeça olhando e entreolhando para os lados e à frente.
Saval fica boquiaberto e entra em “desespero”. Colocando as mãos na cabeça olhando para um lado e outro.
Quando menos esperam, um garoto sai a galopes dali. Quase esbarra-se numa das pessoas que ali estavam em tumulto.
-Quem era? –pergunta Ambre confusa, saíra até mesmo, poeira esfumaçada.
-Não sei... –Lysandre olha confuso, colocando sua mão sobre os olhos, por causa da poeira.
-
-Mas não precisava ter me “sequestrado” assim... –digo espantada e enraivada com a atitude do rapaz. Olho para os lados, que realmente nunca tivera visto... E era muito belo, muitas árvores altas, o lago... Grama, rochas, flores...
-Eu não te sequestrei, senhorita Auria. –diz sarcástico.
-Não me venha com essa... –olho em volta, sem dar muita atenção ao garoto. –Obrigada... –o aperto mais... Por segurança é claro...
-Pelo quê, princesa? –começa a parar o cavalo, perto do lago.
-Pelo passeio, e por me mostrar... Você também é príncipe, não é? –olho em volta, o cavalo para e ele tenta me ajudar, eu pulo do cavalo, bruscamente, ignorando sua ajuda.
-Sou... Não mude o assunto, senhorita Auria. –fita suas próprias mãos, que fora deixadas solas.
-Eu não sou princesa, ainda. –vou para perto do lago. –Me leve de volta! Nem sei o por quê me trouxe aqui! –fito meu reflexo sobre a água.
-Desculpe, Auria... Mas para mim, já es uma princesa. –se aproxima de mim.
-Sim... Logo serei... Quem sabe! Se vovô deixar o posto de Rei... –fito meu reflexo e logo chuto uma pedra na água, e vou diretamente para ao lado do cavalo para ele poder me levar de volta.
-Ah... Como suspeitei! –sorri, abismado olhando para mim, ao lado do cavalo.
-O quê? –arqueio as sobrancelhas enraivada e confusa.
-A senhorita Auria não sabe montar a cavalo! –ri, apontando para o cavalo.
-Ora seu! –serro o punho em direção a ele.
Me viro, enraivada, olho para o cavalo, sem pensar pego a rédea do cavalo e levo meu pé até o estribo, me impulsiono até a cima do mesmo e faço um barulho como se estivesse beijando. Impulsiono meus pés na barriga do cavalo, estava numa posição não muito confortável, estava muito inclinada.
-Auria! Não faça isso! –Albert ergue a mão, correndo até mim.
O cavalo começara a correr com meu impulso.
-Há! Quem não sabe galopar agora? –debocho Albert.
-Você não sabe Auria! –ele grita de lá.
-Ai ai... É mais fácil que imagina! –faço mais impulso no cavalo, ele era muito alto, parecera que estava ficando agressivo com o impulso. Comecei a ficar com medo...
-Calma garoto! Calma... –comecei a tentar acalmá-lo, acariciando-o.
Ele ficava mais assustado e agressivo, começara a se mover sem direção certa.
-Auria! –ouço uma voz de longe.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Espinhos do Amor - Capítulo 15


A Chuva e as Lágrimas que Caem do Céu


          *tapa*

          – Idiota!!! Como sempre você teve que estragar tudo!!! – disse isso enquanto limpava as lágrimas que começavam a cair.
          – Mily, me desculpa.
          – Felipe, eu acho que nós não podemos mais ser amigos.
          – Mily! Espera... – e antes que ele pudesse dizer qualquer coisa eu já tinha saído correndo.

          Antes que eu pudesse chegar na esquina começou a chover e a chuva foi ficando cada vez mais forte.

          – Droga! Porque teve que começar a chover justo agora? Eu preciso chegar em casa o mais rápido possível.

          Chegando em casa eu fui direto pro chuveiro, eu precisava tomar um banho, afinal, eu estava numa situação deplorável: molhada, olhos inchados, o cabelo todo bagunçado, o rosto todo sujo pela maquiagem borrada, vestido e sapatos totalmente destruídos           pela chuva e pela lama, etc. O meu pai e a Michelle se assustaram quando me viram desse jeito e até perguntaram o que havia acontecido, mas eu nem ao menos respondi.
          Depois do banho eu tentei dormir um pouco, mas parecia impossível, essa noite foi longa demais não saia da minha cabeça.

          “Felipe, seu idiota, porque você teve que fazer isso? Porque você teve que estragar a nossa amizade? Apesar de tudo aquele beijo não sai da minha cabeça, tudo bem que eu fiquei surpresa, afinal ele foi a segunda pessoa que me beijou... Mas eu senti uma coisa estranha, aliás, eu ainda sinto, o meu coração está batendo super rápido, o meu corpo todo parece estar em chamas, o meu peito e meu estômago estão doendo muito, isso é muito estranho, eu nunca senti algo parecido...”

          Por fim, eu não consegui pregar o olho a noite toda, meu celular tem mais de 500 chamadas perdidas da Auria e SMS. “Será que ela ficou sabendo do que aconteceu?” De qualquer maneira eu não quero falar com ela agora.

          *Algumas horas mais tarde*

          – Mily! Por favor abre essa porta, eu preciso falar com você. – era a Auria.
          – Tudo bem. Você está sozinha?
          – É claro que estou, agora abre logo.
          – O que você quer Auria?
          – Bom, eu fiquei sabendo do que aconteceu.
          – Ótimo! Vai querer me dar uma bronca agora?
          – É claro que não, eu entendo o que você fez.
          – Sério?
          – Não! E eu vim aqui para te dar bronca sim. Não foi certo o quer você fez.
          – E o que você queria que eu fizesse senhorita certinha?
          – Olha Mily, tudo bem que nós somos melhores amigas, mas eu não vou ficar te dizendo o que é certo ou errado, muito menos vou decidir por você o que é certo a fazer. Eu só te digo uma coisa, pense primeiro em tudo o que aconteceu e no que você sente em relação a isso, deixe tudo isso claro em sua mente e eu tenho certeza que a resposta irá aparecer. Não se deixe levar por um falso amor e arrisque-se. Bom, eu já vou indo. Mas promete que vai pensar, ok?
          – Tudo bem. – e com isso eu fiquei pensando em tudo, em tudo o que me incomodava.